sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Entre Um E Outro Pensamento

Vagando entre um e outro pensamento,
Olhando o mar que se expandia...
Juntámos nossas células sem discernimento,
E num bailado prateado, fizemos a travessia.
**
Então, todo universo passou uma tangente,
Ao meu corpo, em descontrolada emoção,
Para reflectir a eternidade, frente a frente,
E ser julgada nas águas frias do perdão.
**
Minha alma deu um soluçado e profundo grito,
Abafando o som das ondas implacáveis,
Cavando abismos, levando-me ao infinito,
Por covas fundas, eras insondáveis.
**
De transparente túnica, opulente e bela,
Livre, em pleno esplendor e frescura,
No fundo estava a Vénus tão singela,
De luxuriantes formas e tão pura.
**.
Mas eu confusa com tais perplexidades,
Queria salvar-me ou talvez prender-me,
Rasgar-me em bocados, voar como as aves,
Veio uma musa, quis absolver-me.
**
Tirou-me os nós que eu tinha no peito,
Com a graça de uma pomba branca,
Despiu-me como ninguém tinha feito,
Cobriu-me toda com uma manta.
**
E assim como vim ao mundo,
Levou-me para terra toda liberta,
Doei minhas confissões, ao mar tão fundo,
Que as gaivotas ficaram de boca aberta.
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Cristina Ivens Duarte-08/12/2017







quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Amanhã Quem sabe...TAUTOCRÓSTICO

Amanhã poderei nem estar aqui..
Murmurando nas folhas dos meus dias,
Aqueles que não dei conta, passarem por mim,
Na minha sombra de linhas ténues e vazias,
Habitando comigo num silêncio purpuro,
Agarrados às minhas infantis agonias.
**
Quem sabe, se de uma vez por todas,
Uma a uma me desprenderei...
E, levando comigo, minhas tristezas bobas,
Mergulhada em sonhos...morrerei!
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Sabendo, apesar de tudo, que valera a pena,
Ancorar nos meus bordados de fina prata...
Bater na minha alma, que é tão pequena,
Eu sei, quanto esta dor me mata.
**
Cristina Ivens-29/11/2017



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Uma Fantasia

A tarde era qual um favo de mel,
Amarelo, flamejante, causava vertigens,
Só éramos nós, mais o som do pincel,
A pincelar, minhas fantasias virgens. 
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Comecei então, a fantasiar contigo,
Num campo de searas, a crepitar,
Surgiste por entre as vagens de trigo,
Como uma semente a desabrochar.
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Com a tua fragilidade e candura,
Quase impossível de imaginar...
Meu coração abriu-se em loucura,
Só para tu poderes entrar. 
** 
Dei-te uma flor, que colhi dos montes,
Para colorir, teus olhos belos, 
Fiquei perdido em horizontes,
Quase tocava nos castelos.
**
Não parei de fantasiar...meu Deus!!
Era tudo tão encantado...
Que ao tocar-te, com os dedos meus,
Parecia não ter fantasiado.
**
Eras tão real, em minha mente perdida,
Pelos montes a ver-te brotar,
Que te plantei na minha vida,
Para sempre te poder tocar.
**
Cristina Ivens Duarte-20/11/2017






sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Uma lágrima De Jerusalém

A noite chega, é hora de abrandar,
O bocejo bate, faz truz-truz,
E os olhos quase a encerrar,
Ficam a sonhar com o menino Jesus.
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Passando as mãos nos olhos sonhadores,
 Uma lágrima Sua sai escorrendo,
Jesus a colhe com os cobertores,
Sobre os olhos que estavam morrendo.
**
Orvalhados Pelo seu Criador,
Seus sonhos rejuvenesceram também,
Com uma lágrima carregada de amor.
** 
E assim a noite se fez dia,
Com os olhos cheios de alegria,
Jesus voltou para Jerusalém.
**
Cristina Ivens Duarte 3/11/2017

domingo, 29 de outubro de 2017

Querida Esperança

Faz tanto tempo, amada Esperança, 
Que minha alma a procura também,
 Tamanha é a nossa semelhança,
Que com perseverança se obtém.
*
Ainda agora, veja o exemplo,
Eu que gosto de coisas simples e singelas,
Entrou-me a Esperança pelo quarto a dentro,
Jorrou-me flores pelas janelas.

Tenho como certo que o nosso destino,
É bordado com as nossas mãos,
Em algodão fino de linho.
*
Mas o tempo torna os planos em trapos,
A Esperança fica em farrapos,
E a vida em desalinho.
**
Cristina Ivens Duarte-29/10/2017






terça-feira, 24 de outubro de 2017

E o sono que não chega

O sono teima em não chegar,
A noite está prestes a partir,
As costas doem de tanto lutar,
Na cama tentando dormir.
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Fez-me levantar para falar dele,
Do poeta sono que me endoidece,
E eu venho aqui ter com ele,
Tentando ver se ele me adormece.
**
O cansaço é extremo, a inspiração já dorme,
Não sei o que digo, nem penso, 
Mas vejo o poeta com fome,
Comendo o meu sono sem senso.
**
Ralhei com ele, pela sua ousadia,
Ao dizer que me ia ajudar,
Afinal quando já era dia,
 Ele ainda estava a manjar.
**
Ele tinha a sua fisgada,
O seu mal era mesmo fome,
Tinha a boca do estômago dilatada,
 E o poeta do sono já dorme.
** 
Depois da pança cheia,
Fiquei eu ao Deus dará,
A manhã acordou soalheira,
Corri com o poeta de lá.
**
Cristina Ivens Duarte-24/10/2017

terça-feira, 17 de outubro de 2017

As Nuvens

Às vezes vejo nas nuvens desenhos,
Deixando-me ir na correnteza,
O som dos guizos levam-me aos rebanhos,
Que eu vejo no céu com clareza.
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São cordeirinhos brancos, macios,
Parecem algodão branco, marfim,
Mas elas não reconhecem meus cílios,
E ficam abismadas olhando para mim.
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Não faço parte do rebanho, pensam elas;
Porque tenho o poder de ter estas visões...
De achar nas nuvens coisas tão singelas?
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Então viram que eu sofrera de desilusões,
Minhas intenções são puras e belas,
Vê-las voar no céu como os balões. 
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Cristina Ivens Duarte-17/10/2017



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Se Te Perdesse

Se te perdesse, creio que morreria,
O perto se tornaria infinito,
Não te ter por mais um dia,
Eu morria...louvado seja dito.
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E mesmo morta cambaleava,
Como um zombi chorando,
Só mesmo crucificada,
Parava te procurando.
**
Porém Jesus, o bom senhor,
Os meus pregos aliviava,
De encontro ao meu amor,
Enquanto o sangue derramava.
**
E por breves instantes,
Eu via a tua pele luzidia,
Fundida em dores penetrantes,
Amava-te enquanto morria.
**
Cristina Ivens Duarte-25/09/2017


domingo, 24 de setembro de 2017

Nunca fiz um poema

Não sou eu que estou a escrever,
 São as minhas mãos a plagiar,
 O som das ondas a bater,
E a sua boca a espumar.
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Minhas mãos, anjos dos meus tormentos,
Quando minha alma está omissiva,
Elas roubam dos meus pensamentos,
Minha poesia que está cativa.
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Presa entre nós na garganta,
Doendo por entre as costelas,
Minhas mãos são de uma santa,
Mas os poemas, são todos dela.
**
Nunca na vida um poema fiz,
Revelo agora o meu segredo,
Fora a santa que sempre quis,
Usar o milagre do meu dedo.
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Cristina Ivens Duarte-24/09/2017





quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Pensando Bem

 Nesta vida cheia de portas, 
Por vezes batemos sistematicamente,
Mas agem como se estivessem mortas,
As pessoas que amamos, tão arduamente.
**
Elas levam tanto tempo a responder,
Que a gente acaba por desistir,
O melhor mesmo é deixá-las morrer,
Do que continuar a bater, a persistir, a persistir.
**
O vento leva as coisas ocas,
 De tão vazias que elas são,
Depressa esquecemos... das memórias loucas,
E ficamos à mercê das nossas mãos.
** 
Um dia porém estamos à janela,
A campainha toca, inesperadamente,
Já nem te lembras ...que pessoa é aquela,
E fechas-lhe a porta para sempre.
**
Com o tempo a gente aprende,
A valorizar a nossa pessoa,
Cria em volta uma grande rede,
E prende quem nos magoa.
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Cristina Ivens Duarte-13/09/2017


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Os Dias

Há dias que os dias não saõ dias,
São uma coisa qualquer,
São como vidas vazias,
Que nem dias têm sequer.
**
O amanhã não interessa,
Se o dia vai ser igual...
E se passar bem depressa,
Não se vê no dia o que está mal.
**
 O mal não está no dia,
Mas no mal que o dia faz,
E se o dia para mim sorria,
Fazia o dia andar para trás.
**
Atrás do dia eu correria,
De manhã ao anoitecer, 
E os dias seriam dias,
Passados a correr.
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Cristina Ivens Duarte-14/08/2017





Um Corpo Nu

Um corpo nu, lácteo e sem defeito,
Delicado, escultural e feminino,
Imóvel, nu, sobre o seu peito,
É de uma pureza, algo divino.
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Um corpo nu, não carece de retoques,
É lindo de se ver...é um encanto,
Um clarão, uma chuva de choques,
Ah...como ele brilha tanto, tanto.
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Um corpo nu, nossos olhos incendeia,
É fogo farto... nas veias, inflama,
Tem a delicadeza da seda de uma teia,
Seja homem...ou seja dama.
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São mãos, seios e pernas,
Curvas sequiosas por malícias,
Que os olhos parecem lanternas,
Perante tamanhas delícias. 
**
Cristina Ivens Duarte-18/08/2017

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A Rosa

Escrevia de emoção forte, chorando,
Ao meu amor quase paradisíaco,
Uma rosa cai, cambaleando,
Senti a alma dele dentro do meu físico.
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Vi o meu amor, pelos meus olhos passar,
Lagos dentro do meu ser nasceram,
Ao pressentir a sua tumba levantar,
Meus versos naquele dia estremeceram.
**
Como um sopro em cinzas dispersas,
As mãos geladas, com algum tremor,
Queria fundir-me com ele às pressas,
Apagar a saudade, sobretudo a dor.
**
Eu bem tento, mas não consigo vencer,
Ainda me lembro do gosto do seu beijo,
E as rosas não param de chover,
Sempre que nos meus versos eu o vejo.
**
Porém o meu amor por ele é tudo,
Na tumba...oh! Deus, como está sozinho!
Prá vida farei versos cheios de conteúdo,
E nas rosas ternos gestos de carinho.
**
Cristina Ivens Duarte-22/08/2017



quinta-feira, 13 de julho de 2017

A Minha Rima

A minha rima aparece do nada,
Espontânea tal como a fome,
 Comendo palavras fumadas,
Num poema de um pão enorme.
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É uma trinca atrás da outra,
Deglutindo sem mastigar,
Com versos nos cantos da boca,
Ficando até secar.
**
Uma baba espessa de letras,
Que escorre lentamente,
Como doce de amoras pretas
Num pote de um dia quente.
**
Escrever é sentir fome,
No estômago um ronco voraz,
Comer com uma vontade enorme,
Poemas de frente para trás.
**
Cristina Ivens Duarte-13/07/2017

terça-feira, 11 de julho de 2017

Eterno Sonho

Voava como um avião de papel,
Tão leve como um pedaço de napa,
Que eu guardara desde longa data,
Enrolado a um fio de cordel.
**
Achei-o num dia tristonho,
Amassado parecendo chapa,
Uma noite apareceu no meu sonho,
Caído num bairrinho de lata. 
**
Ele voara tanto com o passar dos anos,
Como um tufão que provoca danos,
No peito um cordel apertado.
**
Ao dormir, por vezes está ao meu lado,
Destemido...ainda me pergunta,
Porque sonho eu acordado?
**
Cristina Ivens Duarte-11/07/2017


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Rastros de um silêncio

Nas ondas do mar cá fora,
Nas ondas do mar lá dentro,
Tive um momento de uma hora,
E um minuto de silêncio.
**
Desta vida não levo nada,
Apenas o que trago vestido,
Os rastros na areia molhada,
São de um anjo que caminha comigo.
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Que escreve poemas com os pés,
 Nas areias de algodão,
E o anjo descalço...ao invés,
Carrega os sapatos na mão.
**
Naquele minuto de silêncio,
Naquele momento de uma hora...
Largou poemas ao vento,
E o meu tempo foi embora.
**
Cristina Ivens Duarte-23/05/2017




O Primeiro amor

Quanta ternura em nosso olhar,
Quando em harmonia nos beijamos docemente,
E o sol sorrindo em nossa mente a iluminar,
O primeiro amor flutuando entre a gente.
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Fechamos os olhos e ficamos a sonhar,
Pincelámos o céu de rosas adoçadas,
E a ternura quase nos fez chorar,
Com a macieza dos lábios inesperada.
**
Beijar...beijar até tapar os ouvidos,
Para sempre com os lábios unidos,
Duas crianças, dois beija flores.
**
O amor, o nosso coração invadiu,
No ar, um brilho mágico que nunca se viu,
Duas sombras...a verter de amores.
**
Cristina Ivens Duarte-1/06/2017


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Imortal

Um dia o mar desabou sobre mim,
Toda a água que havia no mundo,
Parecia que a vida chegara ao fim,
E que o oceano não tinha fundo.
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Contudo, deixou-me a levitar,
Como uma ninfa das profundezas,
E o meu corpo semi-nu a flutuar,
Senti-me a mais linda das deusas.
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Embriagada com o azul marinho,
Adormecida de incolor,
Na transparência do meu corpo feminino,
Sonhei que estava a fazer amor.
** 
Amor com o mar, com o sol, com a lua,
Aquele amor tridimensional,
Que deixa a gente completamente nua,
E torna a alma... imortal.
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Cristina Ivens Duarte-18/04/2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

Fragâncias

Eram aromas, fragrâncias por inteiro,
Como se em flores eu estivesse estendida,
Que na brisa do teu sopro...senti o teu cheiro,
Alucinando, meus dias, minha vida. 
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O cheiro do teu perfume impregnado,
No meu corpo, minhas mãos, minha cama,
Como se um fogo se tivesse inflamado,
Num ápice, tudo em volta ficou em chama.
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Entrelaçando todos os meus nervos em versos,
Labaredas, vindas da alma a navegar,
Carinhos e beijos ficaram impressos.
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Corpo entre corpo, num enlace primordial,
Fomos astros a brilharem neste amar,
Jamais haverá um momento deste...igual.
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Cristina Ivens Duarte-2/05/2017










sexta-feira, 28 de abril de 2017

Os Três Males Da Vida

Os Três Males Da Vida
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Os três males da vida,
Responsáveis pela infelicidade,
É a «Ganancia» sem medida,
A «Vaidade» e a «Necessidade»
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«Ganância»
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Não escrupulosa ganância,
Que trazes a infelicidade,
Fazes o homem de importância,
Escravo sem necessidade.
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Muito mais quer apanhar,
Porque muito mais quer ter,
Esquecendo que vai deixar,
Cá tudo, quando morrer.
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«Vaidade»
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Pode não ter um tostão,
Ou até estar empenhado,
Mas vai todo fanfarrão,
Ao vizinho pedir emprestado.
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A vaidade, não deixa ter,
A ninguém nenhum valor,
Veste muito bem sem poder,
Querendo imitar o doutor.
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É a vaidade que faz,
A miséria engravatada,
Porque ninguém é capaz,
De dizer que não tem nada.
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«Necessidade»
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A necessidade é sofrimento,
Dos que não têm que comer,
Explora a cada momento,
Os que nela querem ter.
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E não faça confusão!
A necessidade é um perigo,
Não perdoa ao irmão,
E muito menos ao amigo.
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E não há nada a fazer,
Não pode ser corrigido,
Com estes males a correr,
O mundo está perdido.
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E não sendo nenhum igual,
Qual destes é o maior?
Destes três tipos de mal,
Qual deles é o pior?
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Cristina Ivens Duarte-28/04/2017

terça-feira, 25 de abril de 2017

Transparência

À luz do sol, ao fim da tarde,
O sentimento é forte, de pura emoção,
Contemplá-lo, é amor que arde,
É platónico, é transfusão.
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Em versos, trovas e melodias,
Me reporto aos sonhos desvanecidos,
E na cegueira das minhas fantasias,
Em amor e luz ficamos fundidos.
**
Ora brilhamos, ora escurecemos,
Andamos nisto, num vai e vem,
Porém, só nós é que sabemos,
A cor que a nossa alma tem.
**
Na genuinidade da minha transparência,
Cujo a vida me tem sido traiçoeira,
Transponho em versos a minha essência,
Com cheiro a flores de uma laranjeira.
**
Cristina Ivens Duarte-25/04/2017


quarta-feira, 12 de abril de 2017

A minha ausência

A minha ausência tem sempre um significado,
Embora por vezes eu não diga a verdade,
É uma desculpa, um argumento inventado,
É uma fase, não é defeito ou maldade.
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Não estou aqui, nem ali, nem além,
Não estou capaz, nem sequer de falar,
Não quero ouvir, nem saber de ninguém,
A minha alma não está em nenhum lugar.
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Eu sou assim, de uma tremenda inconstância,
Como a temperança dos climas sazonais,
Que para uns, são de grande importância, 
Mas para mim, são dilúvios existenciais.
**
Um dia amo, outro dia odeio,
Estou em total descompensação,
Não penso, não sinto , nem creio,
Que no meu peito exista um coração.
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E então, ausento-me para me procurar,
A mim, e à minha esperança,
Que está constantemente a chorar
E tem o tamanho de uma criança.
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Cristina Ivens Duarte-12/04/2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

Canoa Dos Meus Pensamentos

Canoa Dos Meus Pensamentos
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Da meia lua fiz uma canoa,
Enfeitei-a com estrelinhas,
Sem remos, sem velas, sem proa,
Com o pensamento, fiz as ondinhas.
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Fiz-me ao mar, à deriva,
Sem pensar, o quão seria trágico,
A noite tornou-se azul, como uma diva,
 Sentado na canoa...senti-me um mágico.
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O mar bailava como um lençol,
Flutuava tal e qual como o cetim,
No horizonte surgiu um lindo farol,
Fragmentos de estrelas caíam sobre mim.
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E então, choveram, choveram siscos
Pontinhos de luz no meu coração,
Eram as estrelas aos namoricos,
Saindo da minha varinha de condão.
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Cristina Maria Ivens Duarte-31-03-2017


terça-feira, 14 de março de 2017

Um Milagre Na Praia

No horizonte, um cacho de carinho,
Que linda a tarde sobre o mar,
Lá vai o sol seguindo como um raminho,
Sobre as vagas, seus raios a derramar.
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Diante delas, desenha asas que incendeiam,
As maçãs do rosto, da areia molhada, 
E, sobre mim, o oiro se esbraseia,
Deixando a minha visão encandeada. 
**
E eu, como uma frágil garça voando,
Vou dormitando sobre os céus abençoados,
Por ora, meus olhos vão lacrimejando,
Nascendo lagos nos meus lábios gretados.
**
As suas mãos, delicadas, milagrosas,
Humedeceram minha boca ...pela metade,
E ali, nasceram cravos, nasceram rosas,
Ao fim da tarde, naquela praia, deu-se um milagre .

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Cristina Ivens Duarte-14/03/2017