sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Uma lágrima De Jerusalém

A noite chega, é hora de abrandar,
O bocejo bate, faz truz-truz,
E os olhos quase a encerrar,
Ficam a sonhar com o menino Jesus.
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Passando as mãos nos olhos sonhadores,
 Uma lágrima Sua sai escorrendo,
Jesus a colhe com os cobertores,
Sobre os olhos que estavam morrendo.
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Orvalhados Pelo seu Criador,
Seus sonhos rejuvenesceram também,
Com uma lágrima carregada de amor.
** 
E assim a noite se fez dia,
Com os olhos cheios de alegria,
Jesus voltou para Jerusalém.
**
Cristina Ivens Duarte 3/11/2017

domingo, 29 de outubro de 2017

Querida Esperança

Faz tanto tempo, amada Esperança, 
Que minha alma a procura também,
 Tamanha é a nossa semelhança,
Que com perseverança se obtém.
*
Ainda agora, veja o exemplo,
Eu que gosto de coisas simples e singelas,
Entrou-me a Esperança pelo quarto a dentro,
Jorrou-me flores pelas janelas.

Tenho como certo que o nosso destino,
É bordado com as nossas mãos,
Em algodão fino de linho.
*
Mas o tempo torna os planos em trapos,
A Esperança fica em farrapos,
E a vida em desalinho.
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Cristina Ivens Duarte-29/10/2017






terça-feira, 24 de outubro de 2017

E o sono que não chega

O sono teima em não chegar,
A noite está prestes a partir,
As costas doem de tanto lutar,
Na cama tentando dormir.
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Fez-me levantar para falar dele,
Do poeta sono que me endoidece,
E eu venho aqui ter com ele,
Tentando ver se ele me adormece.
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O cansaço é extremo, a inspiração já dorme,
Não sei o que digo, nem penso, 
Mas vejo o poeta com fome,
Comendo o meu sono sem senso.
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Ralhei com ele, pela sua ousadia,
Ao dizer que me ia ajudar,
Afinal quando já era dia,
 Ele ainda estava a manjar.
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Ele tinha a sua fisgada,
O seu mal era mesmo fome,
Tinha a boca do estômago dilatada,
 E o poeta do sono já dorme.
** 
Depois da pança cheia,
Fiquei eu ao Deus dará,
A manhã acordou soalheira,
Corri com o poeta de lá.
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Cristina Ivens Duarte-24/10/2017

terça-feira, 17 de outubro de 2017

As Nuvens

Às vezes vejo nas nuvens desenhos,
Deixando-me ir na correnteza,
O som dos guizos levam-me aos rebanhos,
Que eu vejo no céu com clareza.
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São cordeirinhos brancos, macios,
Parecem algodão branco, marfim,
Mas elas não reconhecem meus cílios,
E ficam abismadas olhando para mim.
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Não faço parte do rebanho, pensam elas;
Porque tenho o poder de ter estas visões...
De achar nas nuvens coisas tão singelas?
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Então viram que eu sofrera de desilusões,
Minhas intenções são puras e belas,
Vê-las voar no céu como os balões. 
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Cristina Ivens Duarte-17/10/2017



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Se Te Perdesse

Se te perdesse, creio que morreria,
O perto se tornaria infinito,
Não te ter por mais um dia,
Eu morria...louvado seja dito.
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E mesmo morta cambaleava,
Como um zombi chorando,
Só mesmo crucificada,
Parava te procurando.
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Porém Jesus, o bom senhor,
Os meus pregos aliviava,
De encontro ao meu amor,
Enquanto o sangue derramava.
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E por breves instantes,
Eu via a tua pele luzidia,
Fundida em dores penetrantes,
Amava-te enquanto morria.
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Cristina Ivens Duarte-25/09/2017


domingo, 24 de setembro de 2017

Nunca fiz um poema

Não sou eu que estou a escrever,
 São as minhas mãos a plagiar,
 O som das ondas a bater,
E a sua boca a espumar.
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Minhas mãos, anjos dos meus tormentos,
Quando minha alma está omissiva,
Elas roubam dos meus pensamentos,
Minha poesia que está cativa.
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Presa entre nós na garganta,
Doendo por entre as costelas,
Minhas mãos são de uma santa,
Mas os poemas, são todos dela.
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Nunca na vida um poema fiz,
Revelo agora o meu segredo,
Fora a santa que sempre quis,
Usar o milagre do meu dedo.
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Cristina Ivens Duarte-24/09/2017





quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Pensando Bem

 Nesta vida cheia de portas, 
Por vezes batemos sistematicamente,
Mas agem como se estivessem mortas,
As pessoas que amamos, tão arduamente.
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Elas levam tanto tempo a responder,
Que a gente acaba por desistir,
O melhor mesmo é deixá-las morrer,
Do que continuar a bater, a persistir, a persistir.
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O vento leva as coisas ocas,
 De tão vazias que elas são,
Depressa esquecemos... das memórias loucas,
E ficamos à mercê das nossas mãos.
** 
Um dia porém estamos à janela,
A campainha toca, inesperadamente,
Já nem te lembras ...que pessoa é aquela,
E fechas-lhe a porta para sempre.
**
Com o tempo a gente aprende,
A valorizar a nossa pessoa,
Cria em volta uma grande rede,
E prende quem nos magoa.
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Cristina Ivens Duarte-13/09/2017


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Os Dias

Há dias que os dias não saõ dias,
São uma coisa qualquer,
São como vidas vazias,
Que nem dias têm sequer.
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O amanhã não interessa,
Se o dia vai ser igual...
E se passar bem depressa,
Não se vê no dia o que está mal.
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 O mal não está no dia,
Mas no mal que o dia faz,
E se o dia para mim sorria,
Fazia o dia andar para trás.
**
Atrás do dia eu correria,
De manhã ao anoitecer, 
E os dias seriam dias,
Passados a correr.
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Cristina Ivens Duarte-14/08/2017





Um Corpo Nu

Um corpo nu, lácteo e sem defeito,
Delicado, escultural e feminino,
Imóvel, nu, sobre o seu peito,
É de uma pureza, algo divino.
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Um corpo nu, não carece de retoques,
É lindo de se ver...é um encanto,
Um clarão, uma chuva de choques,
Ah...como ele brilha tanto, tanto.
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Um corpo nu, nossos olhos incendeia,
É fogo farto... nas veias, inflama,
Tem a delicadeza da seda de uma teia,
Seja homem...ou seja dama.
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São mãos, seios e pernas,
Curvas sequiosas por malícias,
Que os olhos parecem lanternas,
Perante tamanhas delícias. 
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Cristina Ivens Duarte-18/08/2017

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A Rosa

Escrevia de emoção forte, chorando,
Ao meu amor quase paradisíaco,
Uma rosa cai, cambaleando,
Senti a alma dele dentro do meu físico.
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Vi o meu amor, pelos meus olhos passar,
Lagos dentro do meu ser nasceram,
Ao pressentir a sua tumba levantar,
Meus versos naquele dia estremeceram.
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Como um sopro em cinzas dispersas,
As mãos geladas, com algum tremor,
Queria fundir-me com ele às pressas,
Apagar a saudade, sobretudo a dor.
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Eu bem tento, mas não consigo vencer,
Ainda me lembro do gosto do seu beijo,
E as rosas não param de chover,
Sempre que nos meus versos eu o vejo.
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Porém o meu amor por ele é tudo,
Na tumba...oh! Deus, como está sozinho!
Prá vida farei versos cheios de conteúdo,
E nas rosas ternos gestos de carinho.
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Cristina Ivens Duarte-22/08/2017



quinta-feira, 13 de julho de 2017

A Minha Rima

A minha rima aparece do nada,
Espontânea tal como a fome,
 Comendo palavras fumadas,
Num poema de um pão enorme.
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É uma trinca atrás da outra,
Deglutindo sem mastigar,
Com versos nos cantos da boca,
Ficando até secar.
**
Uma baba espessa de letras,
Que escorre lentamente,
Como doce de amoras pretas
Num pote de um dia quente.
**
Escrever é sentir fome,
No estômago um ronco voraz,
Comer com uma vontade enorme,
Poemas de frente para trás.
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Cristina Ivens Duarte-13/07/2017

terça-feira, 11 de julho de 2017

Eterno Sonho

Voava como um avião de papel,
Tão leve como um pedaço de napa,
Que eu guardara desde longa data,
Enrolado a um fio de cordel.
**
Achei-o num dia tristonho,
Amassado parecendo chapa,
Uma noite apareceu no meu sonho,
Caído num bairrinho de lata. 
**
Ele voara tanto com o passar dos anos,
Como um tufão que provoca danos,
No peito um cordel apertado.
**
Ao dormir, por vezes está ao meu lado,
Destemido...ainda me pergunta,
Porque sonho eu acordado?
**
Cristina Ivens Duarte-11/07/2017


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Rastros de um silêncio

Nas ondas do mar cá fora,
Nas ondas do mar lá dentro,
Tive um momento de uma hora,
E um minuto de silêncio.
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Desta vida não levo nada,
Apenas o que trago vestido,
Os rastros na areia molhada,
São de um anjo que caminha comigo.
**
Que escreve poemas com os pés,
 Nas areias de algodão,
E o anjo descalço...ao invés,
Carrega os sapatos na mão.
**
Naquele minuto de silêncio,
Naquele momento de uma hora...
Largou poemas ao vento,
E o meu tempo foi embora.
**
Cristina Ivens Duarte-23/05/2017




O Primeiro amor

Quanta ternura em nosso olhar,
Quando em harmonia nos beijamos docemente,
E o sol sorrindo em nossa mente a iluminar,
O primeiro amor flutuando entre a gente.
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Fechamos os olhos e ficamos a sonhar,
Pincelámos o céu de rosas adoçadas,
E a ternura quase nos fez chorar,
Com a macieza dos lábios inesperada.
**
Beijar...beijar até tapar os ouvidos,
Para sempre com os lábios unidos,
Duas crianças, dois beija flores.
**
O amor, o nosso coração invadiu,
No ar, um brilho mágico que nunca se viu,
Duas sombras...a verter de amores.
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Cristina Ivens Duarte-1/06/2017


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Imortal

Um dia o mar desabou sobre mim,
Toda a água que havia no mundo,
Parecia que a vida chegara ao fim,
E que o oceano não tinha fundo.
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Contudo, deixou-me a levitar,
Como uma ninfa das profundezas,
E o meu corpo semi-nu a flutuar,
Senti-me a mais linda das deusas.
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Embriagada com o azul marinho,
Adormecida de incolor,
Na transparência do meu corpo feminino,
Sonhei que estava a fazer amor.
** 
Amor com o mar, com o sol, com a lua,
Aquele amor tridimensional,
Que deixa a gente completamente nua,
E torna a alma... imortal.
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Cristina Ivens Duarte-18/04/2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

Fragâncias

Eram aromas, fragrâncias por inteiro,
Como se em flores eu estivesse estendida,
Que na brisa do teu sopro...senti o teu cheiro,
Alucinando, meus dias, minha vida. 
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O cheiro do teu perfume impregnado,
No meu corpo, minhas mãos, minha cama,
Como se um fogo se tivesse inflamado,
Num ápice, tudo em volta ficou em chama.
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Entrelaçando todos os meus nervos em versos,
Labaredas, vindas da alma a navegar,
Carinhos e beijos ficaram impressos.
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Corpo entre corpo, num enlace primordial,
Fomos astros a brilharem neste amar,
Jamais haverá um momento deste...igual.
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Cristina Ivens Duarte-2/05/2017










sexta-feira, 28 de abril de 2017

Os Três Males Da Vida

Os Três Males Da Vida
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Os três males da vida,
Responsáveis pela infelicidade,
É a «Ganancia» sem medida,
A «Vaidade» e a «Necessidade»
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«Ganância»
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Não escrupulosa ganância,
Que trazes a infelicidade,
Fazes o homem de importância,
Escravo sem necessidade.
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Muito mais quer apanhar,
Porque muito mais quer ter,
Esquecendo que vai deixar,
Cá tudo, quando morrer.
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«Vaidade»
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Pode não ter um tostão,
Ou até estar empenhado,
Mas vai todo fanfarrão,
Ao vizinho pedir emprestado.
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A vaidade, não deixa ter,
A ninguém nenhum valor,
Veste muito bem sem poder,
Querendo imitar o doutor.
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É a vaidade que faz,
A miséria engravatada,
Porque ninguém é capaz,
De dizer que não tem nada.
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«Necessidade»
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A necessidade é sofrimento,
Dos que não têm que comer,
Explora a cada momento,
Os que nela querem ter.
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E não faça confusão!
A necessidade é um perigo,
Não perdoa ao irmão,
E muito menos ao amigo.
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E não há nada a fazer,
Não pode ser corrigido,
Com estes males a correr,
O mundo está perdido.
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E não sendo nenhum igual,
Qual destes é o maior?
Destes três tipos de mal,
Qual deles é o pior?
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Cristina Ivens Duarte-28/04/2017

terça-feira, 25 de abril de 2017

Transparência

À luz do sol, ao fim da tarde,
O sentimento é forte, de pura emoção,
Contemplá-lo, é amor que arde,
É platónico, é transfusão.
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Em versos, trovas e melodias,
Me reporto aos sonhos desvanecidos,
E na cegueira das minhas fantasias,
Em amor e luz ficamos fundidos.
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Ora brilhamos, ora escurecemos,
Andamos nisto, num vai e vem,
Porém, só nós é que sabemos,
A cor que a nossa alma tem.
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Na genuinidade da minha transparência,
Cujo a vida me tem sido traiçoeira,
Transponho em versos a minha essência,
Com cheiro a flores de uma laranjeira.
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Cristina Ivens Duarte-25/04/2017


quarta-feira, 12 de abril de 2017

A minha ausência

A minha ausência tem sempre um significado,
Embora por vezes eu não diga a verdade,
É uma desculpa, um argumento inventado,
É uma fase, não é defeito ou maldade.
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Não estou aqui, nem ali, nem além,
Não estou capaz, nem sequer de falar,
Não quero ouvir, nem saber de ninguém,
A minha alma não está em nenhum lugar.
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Eu sou assim, de uma tremenda inconstância,
Como a temperança dos climas sazonais,
Que para uns, são de grande importância, 
Mas para mim, são dilúvios existenciais.
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Um dia amo, outro dia odeio,
Estou em total descompensação,
Não penso, não sinto , nem creio,
Que no meu peito exista um coração.
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E então, ausento-me para me procurar,
A mim, e à minha esperança,
Que está constantemente a chorar
E tem o tamanho de uma criança.
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Cristina Ivens Duarte-12/04/2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

Canoa Dos Meus Pensamentos

Canoa Dos Meus Pensamentos
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Da meia lua fiz uma canoa,
Enfeitei-a com estrelinhas,
Sem remos, sem velas, sem proa,
Com o pensamento, fiz as ondinhas.
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Fiz-me ao mar, à deriva,
Sem pensar, o quão seria trágico,
A noite tornou-se azul, como uma diva,
 Sentado na canoa...senti-me um mágico.
**
O mar bailava como um lençol,
Flutuava tal e qual como o cetim,
No horizonte surgiu um lindo farol,
Fragmentos de estrelas caíam sobre mim.
**
E então, choveram, choveram siscos
Pontinhos de luz no meu coração,
Eram as estrelas aos namoricos,
Saindo da minha varinha de condão.
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Cristina Maria Ivens Duarte-31-03-2017


terça-feira, 14 de março de 2017

Um Milagre Na Praia

No horizonte, um cacho de carinho,
Que linda a tarde sobre o mar,
Lá vai o sol seguindo como um raminho,
Sobre as vagas, seus raios a derramar.
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Diante delas, desenha asas que incendeiam,
As maçãs do rosto, da areia molhada, 
E, sobre mim, o oiro se esbraseia,
Deixando a minha visão encandeada. 
**
E eu, como uma frágil garça voando,
Vou dormitando sobre os céus abençoados,
Por ora, meus olhos vão lacrimejando,
Nascendo lagos nos meus lábios gretados.
**
As suas mãos, delicadas, milagrosas,
Humedeceram minha boca ...pela metade,
E ali, nasceram cravos, nasceram rosas,
Ao fim da tarde, naquela praia, deu-se um milagre .

**
Cristina Ivens Duarte-14/03/2017





domingo, 12 de março de 2017

Versos Ao Vento

De vez quando vem-me um verso ao pensamento,
Como uma brisa que sopra, leve, refrescante,
Mas, quando eu vou escrever, ele voa como o vento,
E em meu corpo, minhas mãos, uma dor penetrante.
**
Quanto mais penso, não sei o que dizer,
E então, penso na dor que guardo no coração,
Num relance, sinto a morte a querer descer,
Escoando palavras, de luto, e de emoção.
**
Um cheiro adocicado, imutável, a sangue,
Que enlouquece de prazer, o meu coração aberto,
Contraindo-me, pedindo que nunca estanque,
Uma hemorragia mágica, talvez, não sei ao certo.
**
E o véu dos meus sentimentos será preto,
Desvendando os meus tempos de solidão,
Escrever será sempre com tormento,
Esvaindo-me em versos pelo chão.
**
Cristina Ivens Duarte-12/03/2017

terça-feira, 7 de março de 2017

Choro De Felicidade

Nos seus olhos vi duas lágrimas a rolar,
Como um extenso mar, calmo, sem fim,
E nas ondas havia algo a flutuar,
Tão valioso, tão branco, como o marfim.
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Era choro de felicidade de tanto amar,
Escorrendo cada uma, como pérolas lustrosas,
Descobrira um tesouro no fundo do mar,
Que brilhava, como finas pétalas de rosas.
**
Encontrara seu amor que estava perdido,
Aquele que talvez, agora a fizesse feliz,
Um tesouro há séculos escondido.
**
E as lágrimas que eram de alegria,
Tornaram a sua face tão luzidia,
Depois de tanto tempo a viver infeliz.
**
Cristina Ivens Duarte-07/03/2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

O Meu Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje, 
Tão triste, tão vago, tão magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio tão amargo.
**
Não consigo bradar o meu peito,
Que por frieza, engano e distancia,
Morre, mirra, putrefeito,
Por ausência, e tamanha inconstância.
**
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil,
 Que no espelho ficou perdida,
 A minha sombra táctil.
**
Compreendi que muitos amigos que fiz,
Não me fizeram nada, além de inquietude,
Nem sequer saber o que é ser feliz,
Nos caminhos desta vida...eu soube.
**
Antes que as mágoas me façam sangrar,
Nestes versos eu choro em palavras,
Em pranto me ponho a desabafar,
Lágrimas das minhas lavras.
**
Cristina Ivens Duarte-03/03/2017