sábado, 30 de janeiro de 2016

Amei no céu

Partiste sem avisar
morria de saudades tuas
nem queria imaginar
tu sozinho com a lua.

Naquele lugar tão sombrio
sem amor para te aquecer
só queria pedir ao céu
um pequeno voo para te ver.

Bati à porta do céu
perguntei se podia entrar
uma voz de lá surgiu
eras tu a soluçar.

Abracei-me logo a ti
e solucei também
a saudade era tanta
cresceu-me asas e voei.

Choramos tanto juntos
que o tempo mudou
o céu choveu de tristeza
e a lua cheia, tombou.

E naquele temporal
com os corpos molhados
o céu fechou os olhos
e morremos abraçados.

Cristina Ivens Duarte



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A abelha solitária

Sou uma abelha que se perdeu
não há pólen na minha pele
pareço a pobreza a pedir esmola
por uma palavra a saber a mel.

Ando perdida da colmeia
perdi o rasto da rainha
se uma aranha me apanha na teia
sou uma abelha na sua cozinha.

Queria tanto ter um favo de mel
para encostar a minha boca
disfarçar o sabor a fel
e beijar até ficar rouca.

Sinto-me tão só e perdida
de palavras a saber a amor
abraços com gosto a canela
e beijos com cheiro a flor.

Queria encontrar uma vespa
que soubesse sonhar comigo
mais vale um amor voador
do que mendigar um amigo.

Cristina Ivens Duarte












terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Sufoco

Quanto sufoco cá dentro
trago tristezas guardadas
inalo rajadas de fumo
de tantas promessas quebradas.

Queria dizer por palavras
o que sinto no meu peito
tantas cinzas espalhadas
tanto ar rarefeito.

Tanto mau hálito espalhado
que as palavras se destoam
tanto sentimento amargurado
tantos corações me magoam.

Nada cheira bem em mim
nem bonita me pareço
fico perdida, estendida assim
que de respirar, até me esqueço.

Cristina Ivens Duarte






sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Voei por amor

Voei por amor
Voei bem alto para te ver
e te mirar bem ao longe
não te deixas aparecer
porque o teu corpo se esconde.
Entre muros e fronteiras
abro as asas e planeio
uma viagem bem longa
pelo teu corpo inteiro.
Esta ave rara que te ama muito
voa sempre na primavera
porque tu apareces como flor
e eu canso-me de voar à tua espera.
Não me vou depenar de tanto voar
aparece para mim no jardim da Celeste
se vires passar um bando de pardais
é um recado, para mim morres-te.
Cristina Ivens Duarte

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Coragem

Tão triste e magoado
meu coração, coitado
não desiste de mim.

É um acto de coragem
não entrar em paragem
depois de tanta dor
continuar a florir assim.

E a vida é uma passagem
uma folha amarrotada
não se deita o livro fora
só a página rasgada.

Há sempre algo, ou alguém
que vem dar lustro à nossa vida
abrilhantar o coração
a nossa alma querida.

Cristina Ivens Duarte



domingo, 17 de janeiro de 2016

Aprendi com as primaveras

Aprendi com as primaveras
a deixar-me cortar
e voltar sempre inteira
com a alma no lugar.

Aprendi com as primaveras
a deixar-me beijar
e doar o meu sorriso
a quem me souber amar.

Aprendi com as primaveras
o que realmente é o amor
é tornar-me muito velha
e ver o meu velho sem dor.

Aprendi com as primaveras
que a saudade não é amor
é apenas um grito
bem alto de dor.

Aprendi com as primaveras
que o tempo não volta atrás
mas que dele não tenho saudades
porque mais sábia ele me faz.

Cristina Ivens Duarte







sábado, 16 de janeiro de 2016

A minha papoila

Confundi-te com uma papoila
tinhas tudo para ser uma flor
cheirava folha a folha
nem me lembrava da cor.

Estavas tão linda e singela
as borboletas não te largavam
queriam poisar em ti aguarela
e dizer que te amavam.

A paisagem era do campo
eras primavera em flor
a beleza que transbordavas
ás outras flores causavas dor.

Queria ficar ali até ao outono
e da primavera ser o teu dono
depois levava-te comigo
serias rainha, fazia-te um trono.

Cristina Ivens Duarte









quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Os meus olhos

Os meus olhos
São profundamente azuis os meus olhos castanhos
orbitas cristalinas nas quais viajamos
e nas profundezas mudam de cor
consoante a alma e a nossa dor.
São castanhos quando choro
são azuis quando tenho amor
são o espelho da minha alma
camaleões que mudam de cor.
Mudam ao som da minha vida
ficam azuis com uma balada
mudam de cor os meus olhos
cor de terra assombrada.
É nas profundezas dos nossos olhos
nas cristalinas e corais
que se encontram os diamantes
as verdades e os cristais.
São tesouros naufragados
nunca reclamados por ninguém
só a nossa alma sabe
a cor que a vida tem.
Cristina Ivens Duarte

Juízo final

Juízo final
Na incerteza da minha alma
me pergunto aonde estou eu
nesta vida de vidros falsos
tanta incerteza me deu.
Saio de mim, procuro o meu ser
dou-me conta que estou a morrer
vejo uma mistura de várias cores
é um bando de aves, não são flores.
Quem sou eu afinal
no meio de tanto pardal
que voam em direcção
ao juízo final.
Fui eu que já passei o céu
vou para o livro da vida eterna
uma nova terra e novos céus.
Cristina Ivens Duarte

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Serenata

Canto para ti meu amor
choro por ti baixinho
sente a musica por favor
vem à varanda, estou sozinho.
Sente o conforto desta balada
as cordas da minha viola
soltei corações cor de rosa
ficou linda a nossa história.
Assim me faço acreditar
do meu amor por ti
esta loucura de vir cantar
a meio da noite me perdi.
Perdi-me de saudades
de um amor que dura anos
desde a nossa mocidade
que eu te digo que te amo.
Desce dessa varanda por favor
isto é uma prova de amor.

Cristina Ivens Duarte



domingo, 10 de janeiro de 2016

Um amor no céu

Tanta saudade meu amor
e estás tão perto de mim
basta olhar para o céu
e voar até ti.

Aprendi a voar de saudade
bati à porta do céu
surgiu um anjo de verdade
sentiste logo que era eu.

Morri de saudades por ti
cresceram-me asas e voei
sentia-te tão perto de mim
emocionada, chorei. 

E agora meu amor
já não quero mais voltar
lá na terra choro mais
aqui no céu quero ficar.

Tenho-te a ti, as estrelas
um anjo e muitos brilhantes
vai ser tudo muito bonito
o céu e dois amantes.

Cristina Ivens Duarte




sábado, 9 de janeiro de 2016

O que sentes de verdade

E tudo passa com o tempo
a loucura o sentimento
um coração apaixonado.

Deixa o corpo doendo
de tanto sentimento
por um príncipe encantado.

Eu sei que é magia
tudo é lindo e fantasia
estamos cegos de amor.

Apenas amo o teu corpo
acho lindo o teu sorriso
desconheço o teu interior.

É amor e uma cabana
partilhar mesma cama
um amor cheio de pressas
dura apenas algumas semanas.

Vale mais tarde que nunca
achar a tua cara metade
sentires de fonte segura
o que sentes de verdade.

Cristina Ivens Duarte






quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Um gesto de amor

E com este gesto manifesto
o meu amor por ti
sentir os teus dedos tão perto 
os meus desejos pressenti.


Era algo bastante intimo
que eu à muito queria sentir
despir o teu corpo inocente
e da tua boca um pequeno gemer.


Mas as nossas mãos apenas se tocam
e encobrem os nossos desejos
não passam de mãos dadas
grandes abraços e longos beijos.


Mas eu amo-te tanto
que me contento com tão pouco
vou esperar que o nosso desejo
seja uma noite de amor louco.
Cristina Ivens Duarte

Um coração partido

Mergulhei no meu corpo a dentro
num momento de devaneio
chorei bastante lá dentro
vi um coração partido ao meio.

Por isso me ardia bastante
naquela zona do meu externo
os meus seios insuflados
com o fumo daquele inferno.

Naquele sangue em ebulição
afastei as vísceras com as mãos
e com o fluido do meu corpo
remendei o meu coração.

Na forte corrente sanguínea
como um jacto em propulsão
vim pelo meu corpo a cima
e desmaiei de exaustão.

Era a pressão que estava alta
bateu-me forte na cabeça
no meu corpo me afundei
em lágrimas e tristeza.

Cristina Ivens Duarte




segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

No limite

Alguém que assim se sente
no limite das suas forças
na vida não há ninguém
que retire as ideias da forca.

Que se deita e levanta cansada
cansada de não ter ninguém
ninguém que se deite com ela
e que se sinta cansada também.

Alguém que assim se sente
sempre ausente de amor
a vida não é um presente
seja ele ou ela quem for.

Alguém que assim se sente
numa profunda e grande tristeza
nem com a lua e sol presentes
a confortam da incerteza.

Cristina Ivens Duarte

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

A minha Santa inocência

Ainda me lembro com saudades
da minha linda primeira vez
quando perdi a virgindade
e aquela mulher se fez.

Fui ao céu e voltei
foi loucura, senti dormência
gritei pela virgem Maria
minha Santa inocência.

Senti o poder divino
o clímax no meu ventre
brindei com cálices de vinho
o meu corpo ainda quente.

Perdi os sentidos com ele
fiquei rouca, sem voz
senti a Virgem Maria
e os pastores a olhar para nós.

Sou testemunha de um milagre
quando me envolvo em pecados
sinto o diabo no corpo
peço que me faça maldades.

Porque Deus não castiga
e amar não é horror
até a pequena formiga
sente a picada do amor.

Cristina Ivens Duarte