segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

" A Cabana "

A cabana situava-se entre um arvoredo,
Vivíamos como duas pombas num pombal,
Unidos pela aliança que tínhamos no dedo,
E pelos lençóis da nossa cama de casal.

De manhã, erguia-mo-nos muito cedo,
Com o cantar de um lindo pardal,
Para cuidar da casa, e do nosso enxoval,
E ele lavrar a terra, e podar o vinhedo.

Éramos só nós dois, vai dai um belo dia,
Passou a primavera com muita alegria,
Como quem passa pela primeira vez.

Bateu à porta, entrou, ah! não me lembro bem!
Recordo-me que apenas ouvi a palavra Mãe,
Éramos só nós dois, e passámos a ser três.
*
Cristina Maria Ivens-29/12/2016



















segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

imagem e poesia

Eu só queria por uma vez na vida vê-lo,
Então combinámos um certo dia,
Para ter a certeza de que ele me via,
Que eu colocaria uma rosa no cabelo.
*
Era um sítio ermo, e muito escuro,
Tal e qual um aqueduto abandonado,
Eu fiquei ali, com o meu olhar parado,
Vendo ele chegar, por detrás daquele muro.
*
Eu tinha esperado muito tempo por este dia,
Queria conhecer aquele seu ar risonho,
Eu estar ali, ainda me parecia um sonho,
Tamanha era a alegria que me fazia,
*
Depois comecei a querer esmorecer,
Só via os ponteiros do relógio a correr,
E os meus olhos começaram a lacrimejar.
*
Era eu a meio de um pesadelo, 
De no sonho não conseguir vê-lo,
Acordei pelo nome dele a gritar.
*
Cristina Maria Ivens-12/12/2016

domingo, 11 de dezembro de 2016

As tuas mãos...nas minhas

Eu só queria sentir as tuas mãos, nas minhas,
Como um espírito, cheio de amor e saudade,
Então me preencherias de felicidade,
Ao doares-me coisas tuas tão pequeninas.
*
Ah...aí ia ter a certeza do nosso destino,
Desvendava o que diziam as nossas linhas,
Unia as tuas mãos com as minhas,
E flores, se espalhariam pelo caminho.
*
Cada pétala, seria um beijo teu,
 O teu corpo se encostaria ao meu,
No primeiro dia de Janeiro.
*
Já não era só as tuas mãos que eu queria,
 O destino me dava mais do que eu pedia,
Me dava o teu amor por inteiro.
*
Cristina Maria Ivens




sábado, 10 de dezembro de 2016

Sonhos

Amor meu!
Sempre que possa, sonharei consigo,
Terei você mais perto de mim,
Não me sentirei uma sem abrigo,
Pois Deus só me permite, amá-lo assim.

Será a minha luz, em dias tristes,
Na minha amarga, e dolorosa solidão,
Faz-me pensar que o amor ainda existe,
E me conforta tanto o coração.

Em sonhos, posso lhe dizer que o amo,
Mas acordada, me sinto um pouco inibida,
Será um amor que nós idealizamos,
Até ao fim das nossas vidas.

Cristina Maria Ivens

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Eu queria

O Beija Flor E a Borboleta

Uma poesia de amor vou escrever, 
Em tons de azul, e torneada letra,
De um pássaro que estava a morrer,
E que foi salvo por uma borboleta,
*
Estava prostrado num manto de neve,
Um passarinho beija flor
A borboleta poisou ao de leve,
Logo ficou perdida de amor.
*
Com um beijo incandescente,
O passarinho abriu os olhinhos,
De imediato ficou quente,
Com a ternura dos beijinhos.
*
A borboleta disse, anda daí!
Segura-te nas minhas asas,
Vamos embora daqui,
Voar até às roseiras bravas.
*
Ultrapassaram o inverno penoso,
Agarradinhos um ao outro,
Como um cobertor todo rugoso,
Felpudo, e cheio de borboto.
*
Logo depois chegou o verão,
Despiram o aquecimento,
Enamorados deram a mão,
E marcaram o casamento.
*
E não é que acasalaram!
Nasceu uma passaroleta,
Até eles se espantaram,
No que deu a paixoneta.
*
Cristina Maria Ivens-2/12/2016










segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Saudade

Cansado de estar só, com um nó no peito,
Levando a vida, sempre a esmorecer,
A sós com ela, para nunca esquecer,
Esta saudade sentida, sem proveito.
*
Oh! se este nevoeiro se acalmasse,
E o sol, com o seu calor voltasse,
E se embrulhasse, no meu viver,
Eu da saudade, conseguia esquecer.
*
Clarear as estradas da minha vida,
A lua, com a sua luminosidade,
Viveria junto com a saudade,
E não mais, seria assim tão sentida. 
*
Cristina Maria Ivens






quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Roupa velha de bacalhau

Tinha tido um longo dia,
O trabalho me assoberbou,
Fazer comer, não me apetecia,
Aproveitei o que sobrou.

Restou da noite anterior,
Na consoada do Natal,
E como era um dia de amor, 
Ninguém me levou a mal.

Bacalhau cosido com todos,
Todos, são os legumes, as batatas,
Os ovos cozidos, sem cascas.

Mas o que havia, não chegava,
Lembrei-me da minha avó Luzia,
Que tão bem se desenrascava.

Desfiei o bacalhau em lascas,
As batatas parti às rodelas,
Os legumes, e os ovos ficaram na caixa,
Para no fim, se esfregarem com elas. 

Num tacho largo de zinco,
Soquei cinco dentes de alho,
Uma malga de azeite, bem fino.

Em cima de lume brando,
Até o alho, alourar na fervura,
Coloquei as sobras, pensando,
Só no fim, coloco a verdura.

Bati seis ovos inteiros, 
Misturei com grande pujança,
Uma ervas do meu canteiro,
Estava pronto para encher a pança.

Decorei, como me deu na mona,
Uma salsinha fresca, caiu bem,
Não esquecendo da azeitona,
Do lagar da minha Mãe.

Cristina Ivens Duarte-24-11-2016




quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O ato de cozinhar

Cozinhar é o mais privado e arriscado ato,
Descobrem-se relações, entre os alimentos,
O sexo mantido, entre a faca e o garfo,
Que a boca grita, com os seus movimentos.

Cozinhar, é um modo de amar os outros,
Na panela se verte, o ódio, ou a ternura,
E na arte, se vai conhecendo aos poucos,
Quem ferve, em muita, ou pouca gordura.

O alimento necessita de paparicos,
Festinhas na cabeça, do alho francês,
Beijinhos, para evitar os salpicos,
Um "I LOVE YOU", de molho inglês.

Cozinhar, é como doar um coração,
Envolvido, num potente vinagrete,
Pisar o bicho, que está entre o feijão,
E a pedra, para não lascar o dente.

Para tal, não importa ser míope,
Basta apenas, uma pitada de alma,
Ter sempre à mão, um frasco de ketchup,
E a mostrada, que é tão boa e acalma. 
 *
Cristina Ivens-23-11-2016






quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Factos

Deixei-te um bilhete na estante,
Com o intuito, que o fosses ler,
Mas para ti, nada é importante,
Volto agora, novamente a escrever.

Escrevo, para ver se me entendes,
Já que meus lábios, não sabes ler,
Mesmo assim, não me compreendes,
Então meus beijos, não podes ter.

Fiz as malas, com os teus pertences,
Vai na paz do teu senhor....
Pois a mim , não me convences,
Com as tuas promessas de amor.

Não mostres os teu olhos de mágoa,
Que eu continuo, a dizer que não,
Vai dar banho ao cão,
E lava-te na mesma água.

Ah! outra coisa...
À noite, não quero serenatas,
Cantas bem, mas não me alegras,
Com tuas musicas, não me alvejas,
Só me acordas as baratas.


Cristina Maria Ivens







segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Quebranto

Abraçando-me, com elegância e jeito,
Ele se desfaz em carinhos e ternura,
Me encanta, com toda a sua bravura,
Desfaz-me contra o seu peito.

A sua fragrância, me deixa estonteante,
Nos seus braços, eu quero adormecer,
E no medo de poder vir a morrer,
Eu adormeço num breve instante.

Depois, nunca mais quero acordar,
Para sempre, nos braços dele quero ficar,
Num sono, quase paralisante.

Mas quando acordo, meus olhos são de espanto,
Desesperados, como de quebranto,
Oh! eu sou só sua amante.

Cristina Maria Ivens-14/11/2016






segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A Amendoeira

As folhas estavam caídas,
Como se as árvores estivessem a morrer,
No chão, sinais de lágrimas escorridas,
Embora não estivesse a chover.

Fui devagar, muito devagarinho,
Como quem não quer a coisa,
Tal e qual como um passarinho,
Que no ramo da árvore poisa.

Senti um ligeiro abanão,
Parecia o vento a sacudir-me,
Era uma árvore a dizer-me que não,
Que não queria, sequer sentir-me.

Então, dei um saltinho de pardal,
E voei até outra primavera,
Atravessei todo aquele temporal,
Avistei alguém à minha espera.

A tarde estava soalheira,
Do alto de um raminho,
Vi uma linda amendoeira,
Bem no meio do caminho.
.
Como se ela me chamasse,
Embora não visse ninguém,
Pediu-me que eu poisasse,
Queria sentir o peso de alguém.

Cristina Maria Ivens-7-11-2016























segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Entrou-me a Madrugada

Pela janela mal fechada,
Perto da hora do cansaço,
Irrompeu-se a madrugada,
Em anéis de fumo baço.

Manteve a posse, o mesmo olhar,
Como os dias, que vagueiam,
E os seus olhos a gravar,
Os meus sonhos que passeiam.

Na sua voz trazia,
A beleza do amanhecer,
Adivinhando que nesse dia,
Lindas estrelas, iriam chover.

Foi uma noite sem sono,
A esperança, ela trazia,
Não me quis ao abandono,
Entrou, e disse-me bom dia.

As mãos e o olhar da mesma cor,
Rosas, como a roupa que trazia,
Num gesto, que parecia ser de amor,
Sorria, e ao partir agradecia.

O rosto rosado, era a razão,
Dela irromper pela manhã,
Fazer parte da sessão,
Do sol a bater no divã.

Cristina Maria Ivens-31-10-2016



sábado, 29 de outubro de 2016

O Teu Nome

Só para afastar esta tristeza,
Para iluminar meu coração,
Vou mostrar toda a beleza,
Do teu nome numa canção.
.........................................
À luz de uma vela acesa,
Vou chorar enquanto toca,
Queimar toda a tristeza,
Do nome que me sufoca.
.....................................

Vou dizê-lo de mansinho,
Como se fala para uma flor,
Embalando com carinho,
O teu nome, meu amor.
........................................
Todo ele cheira a poesia,
Corre no peito como um rio,
Dá aos meus olhos, alegria,
Ao meu corpo, um calafrio.
........................................
Vou cantar devagarinho,
Num canto, bem devagar,
À sombra de um azevinho, 
Quando o ar me faltar.
.....................................
Cristina Maria Ivens-29-10-2016

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Nas asas de uma fada

Ás vezes a vida, parece um nada,
Uma miragem, voltada para o céu,
Depois...aparece uma fada,
Com um olhar doce, de mel.

Deitada sob um tecto luminoso,
Com os reflexos ondulantes das águas,
Ela torna o inverno choroso,
Em ternas rosas rasas.

Como duas pessoas que se amam tanto,
E que se olham  na mesma direcção,
Ah! ela tira a dor... todo pranto,
Preenche de amor o nosso coração.

Até nos pode dar outro amor,
Deixar de pensar em mais nada,
Envolver-nos com tamanho furor,
Com as asas de uma fada.

Dá vontade de ir ter com ela,
Permanecer lá, para sempre,
Como uma estrela amarela,
Presa com uma corrente.

Ser a sua eterna escrava,
Com argolas em tom dourado
Presa a uma roseira brava,
Rodeada de pétalas, por todo o lado.

Cristina Maria Ivens-27-10-2016







quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Um Vai e Vem

Por vezes,  nem sempre,
Ainda bem que é assim,
Se fosse continuamente,
Depressa chegaria ao fim.
...................................
Tem dias, tem horas, 
Que vem, e fica para durar,
Tem outros dias, outras horas,
Que os momentos são chorar.
..................................
É aquela chuva miudinha,
Que molha sem se ver,
Bem ao fim da tardinha,
Como lágrimas a correr.
..................................
Culpamos o tempo,
Pelas nossas trovoadas,
Ele definha o sentimento,
Como se fossem fortes rajadas.
.................................
São desculpas, de mau pagador,
Bem no fundo, sabemos o porquê!
Dizemos que não é falta de amor,
Só é mesmo parvo, quem não vê.
.................................
Não queremos dar parte de fracos,
Desculpa-mo-nos com as intempéries,
Que velhos, são os trapos,
Chorar, são coisas de mulheres.
.................................
Cristina Maria Ivens-27-10-2016







Um Vai e Vem

Por vezes,  nem sempre,
Ainda bem que é assim,
Se fosse continuamente,
Depressa chegaria ao fim.
...................................
Tem dias, tem horas, 
Que vem, e fica para durar,
Tem outros dias, outras horas,
Que os momentos são chorar.
..................................
É aquela chuva miudinha,
Que molha sem se ver,
Bem ao fim da tardinha,
Como lágrimas a correr.
..................................
Culpamos o tempo,
Pelas nossas trovoadas,
Ele definha o sentimento,
Como se fossem fortes rajadas.
.................................
São desculpas, de mau pagador,
Bem no fundo, sabemos o porquê!
Dizemos que não é falta de amor,
Só é mesmo parvo, quem não vê.
.................................
Não queremos dar parte de fracos,
Desculpa-mo-nos com as intempéries,
Que velhos, são os trapos,
Chorar, são coisas de mulheres.
.................................
Cristina Maria Ivens-27-10-2016







quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Um momento louco

Saí um dia, para caminhar,
Soltar o meu sangue das veias,
Não vi alma viva a passar,
Pus-me a falar com as areias.

Sussurram baixinho,
Para que eu me despisse,
Que seu pó era fininho,
Faziam que ninguém me visse.

Achei uma ideia louca mas,
Só estava eu mais o deserto,
Então tirei a roupa,
Deixei-o boca e aberto.

Deitei-me com a dunas,
Em mim, começaram a mexer,
Como se fossem agulhas,
O meu corpo queriam coser.

Rolei nelas, como uma pena,
Senti os meus seios a voar,
A minha alma ficou serena,
Tranquila por sonhar.

O peito até sangrava,
Com a erosão do areal,
O fluido que me molhava,
Me tornava imortal.

Era areia na boca...
Da cabeça até aos pés,
Que ideia tão louca,
De não saber quem tu és.

Cristina Maria Ivens-26-10-2016








sábado, 22 de outubro de 2016

O BÊ Á Bá Da Paixão

Que sentimento tão complexo!
O bê à bá da paixão...
Não é amor, nem é sexo,
É puramente ilusão.

Deixa o coração confundido,
Se se gosta, ou se ama,
Tem a ardência de uma tocha,
O flamejo de uma chama.

E no fogo da paixão...
Se perde muitas vezes a cabeça,
Deixando o coração sem razão,
Fazendo tudo o que lhe apeteça.

Loucuras, atrás de loucuras,
Cegos, sem qualquer percepção,
Esquecendo das horas diurnas,
Regressando na escuridão.

É beijo atrás de beijo,
Soltando a língua voraz,
Pensando que é desejo,
Sem protecção capaz..

O bê à bá da paixão,
Apenas pede "Passarinho,"
Não façamos confusão,
Que o amor pede, " Ninho."

Cristina Maria Ivens-9/10/2016






Silêncio, Sombra e Saudade.

Quando te tiveres ido embora,
Não mais haverá, creio-o, flores,
Apenas searas que choram,
No próprio dia em que tu fores.

Te guardarei no meu regaço,
Quando chegar esse dia,
Pensar que ao longe eu perdia,
Para sempre o som dos teus passos.

Lembraste da última vez,
As trovas que cantaste para mim?
Puseste em bicos de pés,
As rosas do nosso jardim.

E quando a lua prateava,
Na nossa sombra abraçados,
Até a noite orvalhava,
Como dois olhos molhados.

Tudo ficará como um deserto,
Devaneio, sonho, irrealidade,
Mas, ao longe te sinto tão perto,
No silêncio, na sombra, e na saudade.

Cristina Maria Ivens-22-10-2016


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Perto Dos Malmequeres

Ah! como eu gostava....como seria bom!
Poder amar-te de outra cor,
Diferente, de qualquer outro tom,
Semelhante ao nosso, eterno amor.

Embalar-te na vida com desvelo,
Levar-te comigo, roubar os céus,
Que ninguém pudesse vê-lo,
Todo coberto com mil véus.

Queria tirar ao sete estrelo,
A luz que iluminasse o teu olhar,
Poder na noite sempre tê-lo,
Sempre e sempre...mesmo a sonhar.

Talvez até pudesse dar-te mais!
Além do que possas imaginar,
Mergulhar em lindas bolas de cristais,
E poder estar-te sempre a acompanhar.

Sei que a lua está longe mas, mesmo assim,
Morrer juntos podemos sempre... se quiseres!
Ou então, se preferires, no nosso jardim,
Faleceremos perto dos malmequeres.

Cristina Maria Ivens-18/10/2016



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Alma Azul

Sou das mais estranhas criaturas,
Com ideias tresloucadas,
Como as famosas pinturas,
Em galerias fechadas.

Deu-me uma ideia, de pintar o céu,
Em tons de azul, para ser original,
Depois notei que azul já ele era,
Alguém o pintou de cor igual.

Logo pensei, quem foi o malandro!
Que me roubou as ideias,
Se só durmo de vez em quando,
E guardo as tintas nas meias.

Fui ver as cores que me faltavam,
O azul, estava quase esgotado!
O branco e o preto rebentavam,
Só me restava o encarnado.

Não sabia, se havia de fugir,
Esperar, que mordessem o anzol,
Já nada tinha, nem vontade de sorrir,
Roubaram-me a cor, debaixo do meu sol.

Cristina Maria Ivens-14/10/2016








quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Se eu pudesse...

Se eu pudesse!
Nas lindas manhãs orvalhadas,
Raios de sol espalhar,
Andava contigo abraçada,
Como uma rosa a desfolhar.

Se eu pudesse!
Nas cálidas tardes de verão,
A fúria do mar aplacar,
Para ouvir a voz do teu coração.

Se eu pudesse!
Nas amenas noites de Outono,
Canções ao piano tocar,
Envolver-me contigo no teu sonho.

Se eu pudesse!
Nas gélidas madrugadas,
Lágrimas no teu rosto enxugar,
Para docemente te aliviar,
Das tuas dores caladas.

Se eu pudesse!
A alegria e o amor incondicional,
Num longo beijo dissolver,
A felicidade seria paranormal..

Naquelas horas de descuido,
Tocando em nós,
Com apenas um olhar, um suspiro,
Um carinho, uma canção,
Um tremor de mãos.

Cristina Maria Ivens--13/10/2016




sábado, 8 de outubro de 2016

Semblante tristeza

Nasci à luz de uma candeia,
Na qual azeite ardia,
Numa casa em que havia,
Travessas de agonia,
Mil um buraquinhos,
As aranhas faziam ninhos,
Nos meus tristes olhinhos
Revestidos de fina teia.
E quando era noite de lua cheia,
Ela vinha ao telhado rondar,
E começava a espreitar,
Com raios de prata fina,
Era talvez a luz divina,
Que comigo vinha cear.
Mas nos dias de muita chuva,
Caía em mim a tristeza,
A lua perdia a beleza;
E pelos buracos do telhado,
Começavam a pingar,
Gotas de água sobre a mesa...
Eram lágrimas de uma deusa,
Que por Mim vinha chorar.

Crisrina Maria Ivens-7/010/2016









quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Ao Dar-te A Mão

Ao dar-te a mão,
Entrego os meus fantasmas,
Me abstraio da solidão,
Mergulho em doces plasmas.

Rejuvenesço num só dia,
Retorno à minha infância,
Onde tudo é alegria,
Incenso e fragrância.

Ao dar-te a mão!
Sei que adormeço,
E que no chão...
Eu não tropeço.

Nas tuas mãos vazias,
Entrego os meus dias,
Minhas sombras abismais.

Depois peço-te!
Que me leves o medo,
Com um beijo em segredo,
E não partas nunca mais!

Cristina Maria Ivens



terça-feira, 4 de outubro de 2016

Um Passarinho

Naquela manhã,
Das poucas vezes que saí,
Encontrava-me só, em campos abertos.
Estava exausta!
Era quase meio dia,
E naquela solidão,
Faltou-me a alegria.
A paisagem era linda,
E pairava ali,
Um silêncio profundo,
Como se só
existisse,
Eu no mundo.
De repente o silêncio foi quebrado,
Pela melodia de um passarinho,
Que a exibia,
No alto de um raminho;
Confesso que devia, 
Ouvi-lo até ao fim,
Porque aquela melodia,
Era dedicada para mim.

Cristina Ivens Duarte-3-10-2016




quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O Pescoço Dela...


São lindos...os seus contornos
corações no pescoço dela
delineados, como pretos tordos
finura de uma gazela.
.............
Sua pele cor de leite
textura de cetim...
não precisa de enfeite
cravos, rosas ou jasmim.
.............
E eu olhando para ela
sentindo-me um paspalho 
de ver uma coisa tão bela
e eu...pouco nada valho.
............
Cristina Maria Ivens-28/09/2016

Fado

Sou do fado...
comecei...vivo um poema cantado
de um fado... que eu inventei
a falar...não posso dar-me!
mas ponho a alma a cantar...
e as almas... sabem escutar-me.
Chorei---chorei
poetas do meu país
troncos da mesma raiz
da vida que nos juntou.
E se vocês...
 não estivessem a meu lado...
então... não havia fado
nem fadistas como eu sou!!
Esta voz ...tão dolorida
é culpa de todos vós
poetas da minha vida
esta loucura de ter voz.

Porque O Mar É Salgado?

Queiram lá saber...
quão salgado é o meu mar
são as lágrimas a descer...
e os sonhos a cristalizar.

Cada gotícula oculta...
na minha face chorando
marca a tristeza abrupta
de querer amar sonhando.

Oh mar!...oh mar!...oh mar
porque sonhas acordado!!.
deixa a maré chorar..
torna o meu amor salgado.

Abraça as águas dos rios
e mergulha em ondas doces
tempera os meus sonhos frios
como se meu amante fosses.

Se tu não fosses salgado
farias toda a diferença
o meu corpo iodizado
morreria de carência.

Cristina Ivens Duarte    18/07/2016




A Minha Hora

Fiz um pedido ao meu destino
sempre com a face a sorrir...
para sonhar com este caminho
na hora que eu ia dormir...

Era um sonho absoluto
queria conhecer aquele lugar...
enterrar o meu ser diminuto
e não ter como voltar...

Jardinar a minha campa
mesmo antes de morrer...
não fosse uma sulipampa
impedir o destino de acontecer.

Segui os astros e as estrelas
como fora combinado...
nas brisas frescas e amenas
aguentei o meu corpo curvado.

Cheguei à hora  marcada
com um traje folclórico...
um chapéu a combinar com nada
já tinha acontecido o meu óbito.

O meu propósito não foi em vão
era o que eu temia acontecer...
ver a minha alma no chão
minutos antes de morrer...

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte






O livro que só queria ser lido

Eu queria apenas ser lido
umas quantas páginas por dia
não estaria aqui caído....
se fosse um livro de bijuteria

As minhas histórias não são em vão
denunciam casos da realidade...
contos que quebram o coração
milagres sobre a maternidade.

De fictício também tenho um pouco
imaginar faz parte de mim...
se assim não fosse...ficaria louco
a realidade tem tanta coisa ruim.

As minhas histórias são raras delicias
capazes de vos surpreender...
são doces como ternas caricias
que nos envolvem... começando a ler.

O meu intuito é o encantamento
preencher os corações vazios
a leitura por breves momentos
tempera os vossos dias frios.

Assim...neste prado me ostento
com uma cadeira por perto
ofereço um singelo assento
mantendo o meu livro aberto.

Cristina Ivens Duarte-12/08/2016






Consoante o tempo

Ora choras, oras ris de felicidade
no verão, outono ou inverno
o tempo sabe de toda verdade
o quão a tua vida é um inferno.

Ocultas o que de ti tens mais belo
finges ser tudo o que não és...
por vezes o teu sol é amarelo
um azul inconstante como as marés.

Suspiras sonhos como luas
brilhos de luzes fluorescentes
estrelas que não são tuas
desejos com olhos carentes.

Tu és a mudança do tempo
moinho que gira sozinho
que sente a lufada do vento
que chora a perda de um filho.

 E ao tempo tu não enganas
o tempo dá conta de ti...
essa felicidade que tu emanas
é tristeza que nunca vi.

Cristina Maria Ivens

O coração que carrega

O coração que carrega o peso,
da carga do meu triste navio,
tem os olhos de um menino indefeso,
no convés sobre um vento bravio.

Os soluços são pequenas batidas,
gritos que partem os mastros,
mensagens de aurículas sofridas,
taquicardias que vêm dos astros.

Navego no meu sangue venoso,
com destino a uma artéria pulmonar,
embriagada com o efeito gasoso,
só regresso quando a maré baixar.

De tão curto que é o meu descanso,
tenho dias que me apetece parar,
o meu corpo suplica por amanso,
um cais para poder desembarcar.

Penosa é a carga emocional,
que esmaga toda a minha aorta,
o meu olhar deixa de ser racional,
descaio as pálpebras, feito morta..

O coração que carrega o meu eu,
navega agora num caixão sombrio,
porque choveu tanto e sofreu, sofreu,
naquele convés e ninguém viu.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte.







domingo, 25 de setembro de 2016

No silêncio Do Meu Peito

No silêncio do meu peito, queria dizer-te muitas coisas:
Queria dizer-te as vezes que a tua imagem, de primavera
luminosa,  atravessou os espaços sombrios da minha alma.
Que nela vagueias noite após noite, assombrando os meus pensamentos
Queria dizer.te em várias línguas, vários beijos, e acima de tudo
(o que é mais difícil) na nossa própria língua, o quanto te amo.
De como é bom acordar todas as manhãs, e que o dia encerra
sabendo que ele és tu.
Que os teus olhos falam, com o seu preto brilhante e tão expressivo,
erguem-se entre mim e o céu da meia noite.
Invejo até o céu cintilante que te cobre, e as estrelas serenas que podem
ver-te e alegrar-se.
E muitas vezes na minha solidão, adormeço contigo e contigo acordo.
Contudo nunca estás a meu lado;
Encho os meus braços com o que de ti me recordo mas, fico com
o coração despedaçado.
Sinto os teus olhos fitos nos meus, mesmo quando estás longe de mim,
e os meus lábios tocam nos teus, durante horas e horas sem fim.
Eu penso e falo, sobre coisas de ti, para manter meu espírito em paz,
mas a minha memória não se aparta de ti.
Escondo o meu segredo dos olhos do mundo,
penso e digo o contrário do que queria,
suave é o vento que sopra do céu profundo,
que só murmura histórias de Cristina Maria.

Cristina Maria Ivens.



sábado, 24 de setembro de 2016

Um desejo chamado "Palavra"

No silêncio da noite, tenho muitas vezes desejado apenas
algumas palavras de amor .
Palavras essas...que me libertam de todo o peso e a dor da vida,
e me mantêm afastada da escuridão.
Embora o toque das mãos me faça ver estrelas no céu,
as palavras ternas fazem-me crescer asas e voar.
Cada letra da palavra amor, são coágulos de tristeza desfeitos
que me fazem entrar num mundo cheio de cor.
Mesmo a chover, as uso como guarda chuva,
mantendo a minha felicidade húmida e verdejante.
Duas solidões que se encontram durante um aguaceiro
mas que se abraçam e se reconfortam uma na outra.
As palavras de amor afastam todas as preocupações
deste mundo e fazem-me feliz...São-me tão necessárias
como a luz do sol e o ar...são o meu alimento, a minha
respiração, a minha água.
Dêem-me prendas atenciosas, palavras brancas e rosas, cultivadas em casa
para a minha cabeceira, um passeio-surpresa de mãos dadas com elas, pelos bosques
onde florescem as campainhas.

Cristina Ivens Duarte-24/09/2016


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Poema doce

Poema doce
+++++++++++++
Meus poemas são citrinos
nectares de frutos espremidos
gomos de laranja tão finos
doces, cremosos suspiros.

São suflês de claras em castelo
pudins de laranja lima
cobertos com creme de caramelo
e amêndoa ralada por cima.

São natas batidas com bolacha
uma vagem de baunilha seca
chocolate embutido na racha
uma pitada de pimenta preta.

Pirâmides de frutos cristalizados
amassados com mãos de Cinderela
avelãs e amendoins descascados
polvilhados com açúcar e canela.

Duas colheres de manteiga derretida
uma xícara de farinha de mandioca
um pouco de fermento para dar vida
e enrolas... está feita a torta.

Marmelada, geleia e goiabada
doçura acompanhada com café
por cima de uma tostinha torrada
tão doce que um poema é!!


Cristina Ivens Duarte-6/09/2016

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Tudo por ti

Tivesse eu do firmamento mil véus bordados,
com fios de ouro e de prata, azuis claros e escuros,
como a noite e a luz da penumbra, estenderia-os a teus pés:
Caminhavas levemente sobre os meus sonhos e ficarias a saber 
o quanto te amo.
Neles verias, as colheres de açúcar que os nossos beijos sorvem
o cacau a dissolver-se no palato das nossas bocas
deixando cair pelo teu peito tenebroso, um viscoso licor achocolatado.
Tivesse eu capacidade de te abocanhar de uma só vez, como uma leoa,
serias o meu alimento e saciarias a minha sede.
Romperia a tua pele como um cordeiro e aninhava-me numa costela
solta pelo meu desvaire e loucura.
Antes de ti, parece-me ter somente memórias a preto e branco
mas, quando vieste, trouxeste as estrelas contigo,
balões encarnados e bolhinhas de champanhe.
Como vês, tu estás sempre nos meus sonhos, despido,
como um anjo, com as asas prontas para voar
mesmo dormindo, pedindo que te acorde e te chame de amor. 

Cristina Ivens Duarte-30/08/2016



sábado, 20 de agosto de 2016

Na Morada Dos Sentimentos

Logo bem cedo, pelo alvor
a lareira se acende, com a força do vento
as borboletas acordam, fazem amor
na minha morada do sentimento.
Um cheiro a poesia se espalha no ar
poisando nos meus beirais de faiança
alegando que estou a confeccionar
pezinhos de fé e de esperança.
Nas janelas embaciadas
desenho alguns corações
fazem lembrar, que estão constipadas
com a febre das emoções.
Toda a ternura que me envolve
são meros cheiros almiscarados
um acre a madeira, de uma casa pobre
o cheiro do poder, de sermos abraçados.

Cristina Ivens Duarte-20/08/2016



sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Pedacinhos de amor

Gosto da tua respiração
quando estás junto de mim
apagas a minha solidão
quando me olhas assim.

Quando estamos sós
sinto um amor profundo
julgo até que nós...
somos os donos do mundo.

Não me importo de olhar para ti
toda a vida, sem me cansar
quando deixo de te ver
sinto os meus olhos a morrer
de tanto te procurar.

O teu amor é só meu
para mim estava guardado
vivia dentro do teu
a sete chaves fechado.

Quando sonho acordado
tu és a minha fantasia
fico em sonhos abraçado
sonho de noite e de dia.

O sonho do meu querer
contigo me faz sonhar
se o teu amor não posso ter
nunca mais quero acordar.

Cristina Ivens Duarte-19/08/2016

sábado, 13 de agosto de 2016

Espelhos De Água

Toda aquela esperança que tinhas
na fonte dos teus olhos felizes...
é agora uma chuva miudinha
que vês, ignoras...e nem dizes.

Teus olhos são espelhos de água
pela salga das lágrimas caídas...
duas malgas cravadas de mágoas
contra os muros da vida...sofridas.

Essa tua afeição pela cor preta
da solidão da noite impiedosa
esperando que o brilho de um cometa
te faça lembrar o cheiro de uma rosa.

Afinal... um pouco de esperança te resta!
se aguardas algo que te desperte...
do céu cai sempre uma flecha
que levante o teu corpo inerte.

Cristina Ivens Duarte-13/08/2016


domingo, 7 de agosto de 2016

Uma história de encantar

Nas ondas do mar cá fora
nas ondas do mar lá dentro
fiz da vida  uma história...
com o meu fraco pensamento.

Fui levada por um remoinho...
que me cobriu de areia e cristais
temi que o meu corpo franzino
desfalecesse contra os corais.

Dei de caras com um cardume
que aguardava a minha vinda
estavam cheios de ciume...
e eu nem peixe... era.ainda.

 Uma formosa baleia...
com os seus pequenos descendentes
transformou-me numa sereia...
com os seus olhos incandescentes.

Daqueles mares nunca mais saí
enamorei-me por um golfinho
com o meu encanto o atraí
e levei-o para o remoinho.

Rodopia-mos sem parar...
quase que afogamos na areia
não fosse a história acabar...
o golfinho se transformava em sereia.

Cristina Ivens Duarte





segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Na ombreira da minha porta...

Na ombreira da minha porta
há um dedilhar continuo...
das tuas mãos que me abortam
deste meu pesar martírio.

Foram tantas as vezes...
que rezei pela tua chegada
nos meus infortúnios reveses
choro sobre cada dedada.

Este rastilho que me incendeia
fulmina o meu coração...
é um torniquete que me fazes na veia
com as marcas da tua mão.

E nada apaga esta nódoa
na ombreira da minha porta
ficou vincada a mágoa...
da lamuria que nasceu morta.

As labaredas do meu caminho...
fortalecem a minha esperança
da minha carne tirar o teu espinho
e a tua mão... da minha lembrança.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte--1/08/2016


sábado, 30 de julho de 2016

Quando o meu amor partiu

Quando o meu amor partiu
senti as minhas mãos vazias
tão leves...que um imenso frio 
preencheu todos os meus dias.

 Levou com ele o meu chão
cortou ambas as minhas pernas
caminho agora com as suas mãos
e os seus olhos...as minhas lanternas.

A minha face vestida de luto
perdeu o jeito de sorrir...
o meu eu bastante oculto
sente o desejo de partir.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte
30/07/2016

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O silêncio

O silêncio que invade e acalma...
as orlas dos nossos pensamentos
apaga o ardor da nossa alma...
e nos enche de deslumbramentos.

Empurra-nos para além fronteiras...
abre caminhos, sem portas nem tectos
sonhos, de mil e uma maneiras...
doces, com vastos sabores predilectos.

A menina dos nossos olhos...
rodopia, rodopia de alegria
com o vestido cheio de folhos
de bailarina fantasia...fantasia.

Em pontas, nos seus formosos pés...
alcança o céu tocando nas estrelas
num silêncio bordado e cheio de godés
torna as manhãs, mais frescas e amenas.

O silêncio preenche a paisagem de encanto
aromatizando o ar com cheiro a  alfazema
escondida está a flor no verde manto...
esperando que o tempo lhe faça um poema.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte













Fermentações...

Embrulhados num cobertor de retalhos
a pele sua como carne num fumeiro...
fermentações dos nossos próprios coalhos
explodem, partindo os nossos corpos ao meio.

São partículas das nossas coalhadas...
que se dividem durante a terna noite quente
no desespero de se tornarem açucaradas
beijamos todo o fermento envolvente.

Cresceu, cresceu, sem parar...
a levedura que envolvia o nossos corpos
esquecendo que o tempo estava a esfriar...
deixando os nossos bacilos quase mortos.


Cristina Maria Afonso Ivens Duarte
20/07/2016





segunda-feira, 25 de julho de 2016

Preciso De Mais...

Preciso de mais na minha vida!
tenho o meu corpo trocado...
nem tudo o que dói é ferida
é passagem de um mau bocado.

Isto não é querer demais...
tem mesmo de acontecer
já nem as minhas cordas vocais...
me suplicam para morrer.

Preciso de um escândalo, de um pecado
que o meu tímpano se rompa de rompante
que se oiça tudo na porta ao lado...
que nunca se tenha ouvido nada semelhante.

Preciso de mais na minha vida...
um gemer que não seja de dor
um grito que não seja ferida...
um ai de prazer de amor.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte
25/07/2016



domingo, 24 de julho de 2016

Esta minha forma...

Esta minha forma de alienado
circunscrita no teu esboço...
é do meu mundo estar parado
de um coração com desgosto.

Eras tu quem eu queria...
mas abraçaste outros braços
o meu coração bem dizia...
apressa mais os teus passos.

Ainda tentei alcançar-te...
pus o meu amor a correr
mas tu já estavas em Marte...
e eu  fiquei em Terra a morrer.

Sofrendo cada vez mais...
abraço todo o teu amor
chorando eu , mais os meus ais
vou acalmando a minha dor.

Peço a Deus a tua vinda...
ainda que a dor vá sumindo
o meu amor mora ainda...
a pouco e pouco vou sorrindo.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte




sexta-feira, 22 de julho de 2016

Desculpem minhas estimadas...Visitas!

Desculpem minhas estimadas visitas!
pela forma como vos recebo...
têm de comer em marmitas
é o meu jeito de aconchego.

Aqui nesta minha casa...
não há vidro nem cristal
é o meu comer que arrasa
não é o prato que fica mal.

Não gosto de modernices...
mas sim de um bom tempero
não estou cá para pieguices
e o galheteiro nem vê-lo...

Sai directo da garrafa...
o azeite da minha oliveira
não tem nome, nem marca
mas dura uma vida inteira...

Guardanapos de pano...já era!
de outros tempos que já lá vão...
podem ficar à minha espera...
ou limpem a boca à vossa mão.

Aqui tudo é reciclado...
até mesmo vocês...
podem ir comer a outro lado
mas não se ponham com os porquês.

Quem se sente bem à nossa beira
não se importa com costumes...
come durante a semana inteira
batatas cozidas com legumes.

Desculpem qualquer coisinha
que eu tenha dito ou feito...
mas aqui na minha cozinha...
nada é roubado ou contrafeito.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte
22/07/2016