quinta-feira, 1 de junho de 2017

Rastros de um silêncio

Nas ondas do mar cá fora,
Nas ondas do mar lá dentro,
Tive um momento de uma hora,
E um minuto de silêncio.
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Desta vida não levo nada,
Apenas o que trago vestido,
Os rastros na areia molhada,
São de um anjo que caminha comigo.
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Que escreve poemas com os pés,
 Nas areias de algodão,
E o anjo descalço...ao invés,
Carrega os sapatos na mão.
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Naquele minuto de silêncio,
Naquele momento de uma hora...
Largou poemas ao vento,
E o meu tempo foi embora.
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Cristina Ivens Duarte-23/05/2017




O Primeiro amor

Quanta ternura em nosso olhar,
Quando em harmonia nos beijamos docemente,
E o sol sorrindo em nossa mente a iluminar,
O primeiro amor flutuando entre a gente.
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Fechamos os olhos e ficamos a sonhar,
Pincelámos o céu de rosas adoçadas,
E a ternura quase nos fez chorar,
Com a macieza dos lábios inesperada.
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Beijar...beijar até tapar os ouvidos,
Para sempre com os lábios unidos,
Duas crianças, dois beija flores.
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O amor, o nosso coração invadiu,
No ar, um brilho mágico que nunca se viu,
Duas sombras...a verter de amores.
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Cristina Ivens Duarte-1/06/2017


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Imortal

Um dia o mar desabou sobre mim,
Toda a água que havia no mundo,
Parecia que a vida chegara ao fim,
E que o oceano não tinha fundo.
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Contudo, deixou-me a levitar,
Como uma ninfa das profundezas,
E o meu corpo semi-nu a flutuar,
Senti-me a mais linda das deusas.
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Embriagada com o azul marinho,
Adormecida de incolor,
Na transparência do meu corpo feminino,
Sonhei que estava a fazer amor.
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Amor com o mar, com o sol, com a lua,
Aquele amor tridimensional,
Que deixa a gente completamente nua,
E torna a alma... imortal.
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Cristina Ivens Duarte-18/04/2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

Fragâncias

Eram aromas, fragrâncias por inteiro,
Como se em flores eu estivesse estendida,
Que na brisa do teu sopro...senti o teu cheiro,
Alucinando, meus dias, minha vida. 
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O cheiro do teu perfume impregnado,
No meu corpo, minhas mãos, minha cama,
Como se um fogo se tivesse inflamado,
Num ápice, tudo em volta ficou em chama.
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Entrelaçando todos os meus nervos em versos,
Labaredas, vindas da alma a navegar,
Carinhos e beijos ficaram impressos.
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Corpo entre corpo, num enlace primordial,
Fomos astros a brilharem neste amar,
Jamais haverá um momento deste...igual.
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Cristina Ivens Duarte-2/05/2017










sexta-feira, 28 de abril de 2017

Os Três Males Da Vida

Os Três Males Da Vida
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Os três males da vida,
Responsáveis pela infelicidade,
É a «Ganancia» sem medida,
A «Vaidade» e a «Necessidade»
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«Ganância»
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Não escrupulosa ganância,
Que trazes a infelicidade,
Fazes o homem de importância,
Escravo sem necessidade.
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Muito mais quer apanhar,
Porque muito mais quer ter,
Esquecendo que vai deixar,
Cá tudo, quando morrer.
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«Vaidade»
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Pode não ter um tostão,
Ou até estar empenhado,
Mas vai todo fanfarrão,
Ao vizinho pedir emprestado.
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A vaidade, não deixa ter,
A ninguém nenhum valor,
Veste muito bem sem poder,
Querendo imitar o doutor.
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É a vaidade que faz,
A miséria engravatada,
Porque ninguém é capaz,
De dizer que não tem nada.
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«Necessidade»
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A necessidade é sofrimento,
Dos que não têm que comer,
Explora a cada momento,
Os que nela querem ter.
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E não faça confusão!
A necessidade é um perigo,
Não perdoa ao irmão,
E muito menos ao amigo.
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E não há nada a fazer,
Não pode ser corrigido,
Com estes males a correr,
O mundo está perdido.
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E não sendo nenhum igual,
Qual destes é o maior?
Destes três tipos de mal,
Qual deles é o pior?
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Cristina Ivens Duarte-28/04/2017