terça-feira, 17 de outubro de 2017

As Nuvens

Às vezes vejo nas nuvens desenhos,
Deixando-me ir na correnteza,
O som dos guizos levam-me aos rebanhos,
Que eu vejo no céu com clareza.
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São cordeirinhos brancos, macios,
Parecem algodão branco, marfim,
Mas elas não reconhecem meus cílios,
E ficam abismadas olhando para mim.
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Não faço parte do rebanho, pensam elas;
Porque tenho o poder de ter estas visões...
De achar nas nuvens coisas tão singelas?
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Então viram que eu sofrera de desilusões,
Minhas intenções são puras e belas,
Vê-las voar no céu como os balões. 
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Cristina Ivens Duarte-17/10/2017



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Se Te Perdesse

Se te perdesse, creio que morreria,
O perto se tornaria infinito,
Não te ter por mais um dia,
Eu morria...louvado seja dito.
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E mesmo morta cambaleava,
Como um zombi chorando,
Só mesmo crucificada,
Parava te procurando.
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Porém Jesus, o bom senhor,
Os meus pregos aliviava,
De encontro ao meu amor,
Enquanto o sangue derramava.
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E por breves instantes,
Eu via a tua pele luzidia,
Fundida em dores penetrantes,
Amava-te enquanto morria.
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Cristina Ivens Duarte-25/09/2017


domingo, 24 de setembro de 2017

Nunca fiz um poema

Não sou eu que estou a escrever,
 São as minhas mãos a plagiar,
 O som das ondas a bater,
E a sua boca a espumar.
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Minhas mãos, anjos dos meus tormentos,
Quando minha alma está omissiva,
Elas roubam dos meus pensamentos,
Minha poesia que está cativa.
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Presa entre nós na garganta,
Doendo por entre as costelas,
Minhas mãos são de uma santa,
Mas os poemas, são todos dela.
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Nunca na vida um poema fiz,
Revelo agora o meu segredo,
Fora a santa que sempre quis,
Usar o milagre do meu dedo.
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Cristina Ivens Duarte-24/09/2017





quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Pensando Bem

 Nesta vida cheia de portas, 
Por vezes batemos sistematicamente,
Mas agem como se estivessem mortas,
As pessoas que amamos, tão arduamente.
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Elas levam tanto tempo a responder,
Que a gente acaba por desistir,
O melhor mesmo é deixá-las morrer,
Do que continuar a bater, a persistir, a persistir.
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O vento leva as coisas ocas,
 De tão vazias que elas são,
Depressa esquecemos... das memórias loucas,
E ficamos à mercê das nossas mãos.
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Um dia porém estamos à janela,
A campainha toca, inesperadamente,
Já nem te lembras ...que pessoa é aquela,
E fechas-lhe a porta para sempre.
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Com o tempo a gente aprende,
A valorizar a nossa pessoa,
Cria em volta uma grande rede,
E prende quem nos magoa.
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Cristina Ivens Duarte-13/09/2017


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Os Dias

Há dias que os dias não saõ dias,
São uma coisa qualquer,
São como vidas vazias,
Que nem dias têm sequer.
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O amanhã não interessa,
Se o dia vai ser igual...
E se passar bem depressa,
Não se vê no dia o que está mal.
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 O mal não está no dia,
Mas no mal que o dia faz,
E se o dia para mim sorria,
Fazia o dia andar para trás.
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Atrás do dia eu correria,
De manhã ao anoitecer, 
E os dias seriam dias,
Passados a correr.
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Cristina Ivens Duarte-14/08/2017





Um Corpo Nu

Um corpo nu, lácteo e sem defeito,
Delicado, escultural e feminino,
Imóvel, nu, sobre o seu peito,
É de uma pureza, algo divino.
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Um corpo nu, não carece de retoques,
É lindo de se ver...é um encanto,
Um clarão, uma chuva de choques,
Ah...como ele brilha tanto, tanto.
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Um corpo nu, nossos olhos incendeia,
É fogo farto... nas veias, inflama,
Tem a delicadeza da seda de uma teia,
Seja homem...ou seja dama.
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São mãos, seios e pernas,
Curvas sequiosas por malícias,
Que os olhos parecem lanternas,
Perante tamanhas delícias. 
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Cristina Ivens Duarte-18/08/2017

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A Rosa

Escrevia de emoção forte, chorando,
Ao meu amor quase paradisíaco,
Uma rosa cai, cambaleando,
Senti a alma dele dentro do meu físico.
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Vi o meu amor, pelos meus olhos passar,
Lagos dentro do meu ser nasceram,
Ao pressentir a sua tumba levantar,
Meus versos naquele dia estremeceram.
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Como um sopro em cinzas dispersas,
As mãos geladas, com algum tremor,
Queria fundir-me com ele às pressas,
Apagar a saudade, sobretudo a dor.
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Eu bem tento, mas não consigo vencer,
Ainda me lembro do gosto do seu beijo,
E as rosas não param de chover,
Sempre que nos meus versos eu o vejo.
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Porém o meu amor por ele é tudo,
Na tumba...oh! Deus, como está sozinho!
Prá vida farei versos cheios de conteúdo,
E nas rosas ternos gestos de carinho.
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Cristina Ivens Duarte-22/08/2017