segunda-feira, 8 de maio de 2017

Imortal

Um dia o mar desabou sobre mim,
Toda a água que havia no mundo,
Parecia que a vida chegara ao fim,
E que o oceano não tinha fundo.
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Contudo, deixou-me a levitar,
Como uma ninfa das profundezas,
E o meu corpo semi-nu a flutuar,
Senti-me a mais linda das deusas.
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Embriagada com o azul marinho,
Adormecida de incolor,
Na transparência do meu corpo feminino,
Sonhei que estava a fazer amor.
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Amor com o mar, com o sol, com a lua,
Aquele amor tridimensional,
Que deixa a gente completamente nua,
E torna a alma... imortal.
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Cristina Ivens Duarte-18/04/2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

Fragâncias

Eram aromas, fragrâncias por inteiro,
Como se em flores eu estivesse estendida,
Que na brisa do teu sopro...senti o teu cheiro,
Alucinando, meus dias, minha vida. 
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O cheiro do teu perfume impregnado,
No meu corpo, minhas mãos, minha cama,
Como se um fogo se tivesse inflamado,
Num ápice, tudo em volta ficou em chama.
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Entrelaçando todos os meus nervos em versos,
Labaredas, vindas da alma a navegar,
Carinhos e beijos ficaram impressos.
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Corpo entre corpo, num enlace primordial,
Fomos astros a brilharem neste amar,
Jamais haverá um momento deste...igual.
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Cristina Ivens Duarte-2/05/2017










sexta-feira, 28 de abril de 2017

Os Três Males Da Vida

Os Três Males Da Vida
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Os três males da vida,
Responsáveis pela infelicidade,
É a «Ganancia» sem medida,
A «Vaidade» e a «Necessidade»
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«Ganância»
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Não escrupulosa ganância,
Que trazes a infelicidade,
Fazes o homem de importância,
Escravo sem necessidade.
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Muito mais quer apanhar,
Porque muito mais quer ter,
Esquecendo que vai deixar,
Cá tudo, quando morrer.
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«Vaidade»
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Pode não ter um tostão,
Ou até estar empenhado,
Mas vai todo fanfarrão,
Ao vizinho pedir emprestado.
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A vaidade, não deixa ter,
A ninguém nenhum valor,
Veste muito bem sem poder,
Querendo imitar o doutor.
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É a vaidade que faz,
A miséria engravatada,
Porque ninguém é capaz,
De dizer que não tem nada.
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«Necessidade»
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A necessidade é sofrimento,
Dos que não têm que comer,
Explora a cada momento,
Os que nela querem ter.
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E não faça confusão!
A necessidade é um perigo,
Não perdoa ao irmão,
E muito menos ao amigo.
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E não há nada a fazer,
Não pode ser corrigido,
Com estes males a correr,
O mundo está perdido.
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E não sendo nenhum igual,
Qual destes é o maior?
Destes três tipos de mal,
Qual deles é o pior?
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Cristina Ivens Duarte-28/04/2017

terça-feira, 25 de abril de 2017

Transparência

À luz do sol, ao fim da tarde,
O sentimento é forte, de pura emoção,
Contemplá-lo, é amor que arde,
É platónico, é transfusão.
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Em versos, trovas e melodias,
Me reporto aos sonhos desvanecidos,
E na cegueira das minhas fantasias,
Em amor e luz ficamos fundidos.
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Ora brilhamos, ora escurecemos,
Andamos nisto, num vai e vem,
Porém, só nós é que sabemos,
A cor que a nossa alma tem.
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Na genuinidade da minha transparência,
Cujo a vida me tem sido traiçoeira,
Transponho em versos a minha essência,
Com cheiro a flores de uma laranjeira.
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Cristina Ivens Duarte-25/04/2017


quarta-feira, 12 de abril de 2017

A minha ausência

A minha ausência tem sempre um significado,
Embora por vezes eu não diga a verdade,
É uma desculpa, um argumento inventado,
É uma fase, não é defeito ou maldade.
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Não estou aqui, nem ali, nem além,
Não estou capaz, nem sequer de falar,
Não quero ouvir, nem saber de ninguém,
A minha alma não está em nenhum lugar.
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Eu sou assim, de uma tremenda inconstância,
Como a temperança dos climas sazonais,
Que para uns, são de grande importância, 
Mas para mim, são dilúvios existenciais.
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Um dia amo, outro dia odeio,
Estou em total descompensação,
Não penso, não sinto , nem creio,
Que no meu peito exista um coração.
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E então, ausento-me para me procurar,
A mim, e à minha esperança,
Que está constantemente a chorar
E tem o tamanho de uma criança.
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Cristina Ivens Duarte-12/04/2017